Na metade de abril passado participei da conferência "O'Reilly Web 2.0 Expo" em São Francisco. Web 2.0 é o termo criado por Tim O’Reilly, CEO da O’Reilly Media Inc, editora de livros técnicos, em 2004 para definir os sites onde o conteúdo é gerado e categorizado pelos próprios usuários num ambiente que facilita a colaboração da comunidade. Diferente da “Web 1.0” onde o conteúdo era criado por editores e o máximo que se permitia de participação dos usuários era a possibilidade de comentar o texto ou participar de enquetes, os sites Web 2.0 tem como premissa básica que todo o conteúdo é gerado pela comunidade de usuários, formando uma "inteligência coletiva" sobre o assunto do site. São sites que utilizam blogs, wikis, repositórios de fotos e vídeos, ferramentas de trabalho colaborativo, e onde os conteúdos são classificados com tags (etiquetas: palavras que classificam o texto a que estão associadas) definidas pelos usuários.
O sucesso de sites desse tipo tem atraído a atenção dos principais players do mercado. Participaram do evento empresas como Google, IBM, Amazon, eBay, Intel, Sun, FAST, AOL, Citrix, Adobe, Nokia, Yahoo! e outras mais especializadas. Todas apresentaram produtos e serviços para essa nova onda da internet. Havia também muitas startups e investidores ávidos por novidades. Jeff Bozos, CEO da Amazon e Eric Schimidt, CEO da Google foram as personalidades famosas entrevistadas em sessões especiais com a presença de todos os participantes.
Em uma das sessões da conferência, os palestrantes discutiram sobre como a Web 2.0 está transformando a mídia tradicional. Eles levantaram as ameaças que a mídia tradicional enfrenta com o sucesso crescente dos sites onde o conteúdo é criado pelos usuários, como, por exemplo, a dispersão da atenção dos usuários e a rapidez com que novos “autores” ficam famosos e tornam-se referências em seus campos de atuação. Isso reduz a quantidade de leitores que recorrem as mídias tradicionais para obter informação de qualidade. A saída para essas empresas é tornarem-se atrativas o suficiente para trazer esses autores referência para suas marcas e construir novos modelos de negócios para seus anunciantes online. Muitos anunciantes no EUA já obtém melhores resultados em suas campanhas online do que na mídia tradicional valendo-se da grande segmentação, pois cada site desse tipo tem seu público bem definido e facilmente caracterizável. Mas não é a simples publicação de banners, é o patrocínio do blog inteiro e suas marcas em todas as formas de comunicação e divulgação desses blogs (RSS, Newsletters, Celular, etc).
Para o uso corporativo foram apresentadas várias soluções para trabalho colaborativo e substitutos online para os aplicativos como processador de texto, planilhas eletrônicas, leitor de email e outras. A tendência é que as aplicações tradicionais, como o Office da Microsoft, atendam um nicho de usuários avançados e especializados e todos os outros usuários usem aplicações web que simulam as funcionalidades mais comuns. Já estão disponíveis substitutos para o Word, Excel, Powerpoint e Outlook rodando em um navegador e armazenando os arquivos em um servidor central (eu estou escrevendo esse artigo em uma dessas aplicações: http://docs.google.com). Existem até mesmo aplicações mais avançadas como ERP e CRM que podem ser acessadas de qualquer lugar que tenha um navegador e acesso a internet. Uma das empresas expositoras, a Etelos, apresentou uma plataforma de desenvolvimento para que as empresas desenvolvam suas próprias aplicações corporativas Web 2.0.
Quando o assunto é infra-estrutura para suportar esses sites, a tendência é o uso de “datacenters virtuais”. A Amazon é uma das primeiras empresas a oferecer serviços como armazenamento de dados ilimitado (S3) e servidores "virtuais" (EC2). Alguns sites Web 2.0 deixaram de possuir um datacenter próprio substituindo-os pelo serviço da Amazon. A Google e a Microsoft também planejam oferecer esse tipo de serviço. As vantagens desses serviços são o pagamento somente pelo que se utiliza de recursos e a possibilidade de aumentar ou diminuir os recursos utilizados sem burocracia e rapidamente. O S3, por exemplo, cobra por GB /mês armazenado e o EC2 cobra por hora que o servidor fica ligado.
Outras sessões trataram de assuntos como técnicas de marketing viral para a divulgação rápida de novos sites, como as tecnologias utilizadas em sites Web 2.0 mudam a forma como medimos o sucesso de um site (quantidade de pageviews, por exemplo, não faz mais sentido em alguns sites), como o design e desenvolvimento de sites deve ser feito de forma ágil e com funcionalidades sempre evoluindo com constante feedback dos usuários (o mote "always beta", que significa que as funcionalidades do site ainda não estão completas, nunca foi tão usado), e muitos outros.