A Fast Forward de 2008 reuniu 1300 pessoas em Orlando, Flórida, teve como tema principal: The User Revolution (A revolução do usuário). Os palestrantes principais e as sessões gerais ressaltaram a mudança de paradigma que está ocorrendo com os usuários cada vez mais no controle do que acontece com as empresas. Seja na compra de produtos somente depois de uma extensa pesquisa e depois de consultar a opinião da rede de relacionamento, seja participando no desenvolvimento e aprimoramento de novos produtos e serviços (prosumers). Essa revolução dos usuários fez as empresas repensarem todas suas estruturas e processos de trabalho.

Somente os mecanismos de busca e os metadados nos permitem separar as informações úteis da avalanche de informações disponíveis. Os metadados que os próprios usuários associam com as informações as tornam úteis. Por isso é muito importante uma estratégia de “gerenciamento de metadados”.

As empresas demandam novas capacidades dos mecanismos de busca. Recursos como descoberta antecipatória, pró-atividade, conectividade social, relevância para a situação e para o contexto do usuário tem como conseqüência mais tempo para pensar, mais conexões entre informações e pessoas, tempo de resposta mais rápido e melhores conexões com os clientes. É a busca como o “Portal” e não somente como a caixa de busca.

A nova geração de tecnologia de busca é centrada no usuário e não somente nos geradores de conteúdo. É tentar descobrir as intenções do usuário e lhe fornecer as informações mais relevantes dentro do contexto desejado. Para isso, é preciso o “Gerenciamento de Interação”.

Esse Gerenciamento de Interação é possível com novas ferramentas como o Content Integration Studio que permite definir graficamente processos de coleta, integração e relacionamento de informações das mais diversas origens. As ferramentas de refinamento de relevância permitem ajustar os resultados apresentando as informações que são mais relevantes para o assunto procurado. E para tudo isso, é necessário um aumento significativo do desempenho do ambiente de hardware e software para que as informações sejam processadas e apresentadas quase em tempo real.

A Revolução do Usuário está tendo um impacto profundo na indústria de mídia e também nas empresas. Abaixo está uma tabela que mostra a nova ordem no mundo da mídia.

A seguir um resumo dos assuntos tratados pelos palestrantes.

Andrew McAfee, professor da Harvard Business School, expôs as transformações que estão ocorrendo nas empresas que adotam os conceitos de colaboração típicas da Web 2.0. A chamada Entrerprise 2.0 já passou a fase de entendimento pelos dirigentes que agora estão tentando entender o porquê e como a empresa pode ser transformada utilizando o poder de comunicação dado aos colaboradores. A adoção com sucesso da Entrerprise 2.0 passa pela Tecnologia, pelas Iniciativas e pela Cultura da empresa.
As ferramentas mais amigáveis, incentivos e evangelizadores e uma cultura de confiança nas pessoas permitem que as empresas capturem melhor os conhecimentos e os compartilhem mais facilmente aumentando a inteligência coletiva.

Don Tapscott, o autor do livro Wikinomics, e expôs o que ele acreditar serem os quatro drivers da revolução do usuário. A primeira é a Web 2.0 com suas ferramentas colaborativas, a segunda é a nova geração de pessoas sem medo da tecnologia, a Net Generation, para quem novos dispositivos e novas formas de comunicação são aceitas naturalmente, a terceira é a revolução social com sites como Youtube e MySpace unindo grupos de pessoas com interesses semelhantes e criando novas formas de interação, e o quarto são os novos modelos de negócios que empresas como Google e eBay se baseiam: a colaboração de entidades fracamente acopladas.

John Hagel, da Deloitte & Touche, comentou os impactos que a mudança do poder para os usuários estão causando nas empresas. Elas agora precisam disputar com muito mais esforço a atenção dos usuários, já que os concorrentes estão a um click de distância e a grande quantidade de informações sobre produtos disponíveis na web permitem aos usuários escolherem melhor suas compras e de quem comprar.
O talento também passa a ser disputado com mais afinco, já que também é muito fácil que os bons profissionais, muitas vezes treinados pela empresa, as abandonem por melhores oportunidades e desafios. Por isso a importância de criar talentos mais rápido que as outras empresas. Algumas empresas também perceberam que existem muitos mais pessoas talentosas fora da empresa do que dentro e estão utilizando essas pessoas para ajudarem no desenvolvimento e aperfeiçoamento de seus produtos.

Clare Hart, presidente da Dow Jones, expôs o novo problema decorrente da sobrecarga de informação: a sobrecarga de relevância. Os usuários de mecanismos de buscas esperam que eles façam uma descoberta antecipatória de conteúdos relacionados ao que ele está interessado, que sejam pró-ativos, que usem métodos colaborativos para encontrar a informação relevante e que contextualize de acordo com a situação.
Quando ocorrem os eventos de interesse do usuário, uma série de informações são buscadas nas mais variadas fontes para enriquecê-lo.

David Weinberger, autor do livro “Everything is miscellaneous”, comentou como a desordem da informação na web é poderosa e prevê o fim da era da informação como a conhecemos. Utilizando-se do poder da web de criar links entre informações, os usuários estão criando suas próprias estruturas de informação e, principalmente, mais de uma forma de ligar os conteúdos entre si. Tags, categorias, metadados, tudo se mistura com a informação e passa também a ser uma informação relevante.

Tom Davenport, consultor e autor de vários livros, argumentou sobre a importância das métricas para o sucesso dos negócios. E afirma que utilizar as métricas e os fatos obtidos para a tomada de decisões estratégicas é fundamental para continuar a frente da concorrência. As métricas deveriam ser usadas para desenhar e modificar a interface com usuário, medir o seu engajamento, o que ele deseja e personalizar o site de acordo, medir as ações do usuário entre todos os canais disponíveis (online e offline) e deixar essas medições disponíveis para os usuários.

Jared Spataro, Gerente de produto da Microsoft Corp, contou um pouco do processo de decisão da Microsoft da compra da FAST e como ela era a melhor opção para a estratégia de busca da Microsoft, principalmente na estratégia do produto SharePoint. Ele afirmou que nada mudará nos produtos da FAST no curto e médio prazo e que todos os clientes devem ficar tranqüilos.

Bjørn Olstad, CTO da Fast, expôs que a tecnologia de busca caminha para identificar as intenções do usuário (interaction management) quando procura por um conceito, identificar o contexto onde se encaixa esse conceito e analisar o conteúdo para identificar sua relevância.

Ele também expôs o Road Map dos produtos da FAST. O novo mecanismo (engine) de busca está previsto para 2009, enquanto isso, as aplicações construídas sobre o engine terão atualizações de versões durante 2008 atendendo as seguintes demandas: Capacidade para bilhões de documentos, integração do conteúdo em tempo real, ferramenta para facilitar a integração de conteúdos de várias fontes (Content Integration Studio), melhores algoritmos para limpeza do conteúdo utilizando lógica fuzzy, melhores ferramentas para análise das buscas e melhor tratamento de dados estruturados.

Finalizando, quando alguém busca alguma coisa, não espera uma lista de links, espera uma resposta no contexto daquilo que precisa. Como fazer o usuário expor suas necessidades para que os sistemas possam encontrar as soluções de seus problemas é a grande dificuldade dos mecanismos de busca como o da FAST.