Hoje eu e o Manoel Lemos tivemos uma boa conversa sobre como é difícil encontrar programadores que procuram ter uma visão abrangente do que estão fazendo.
O programador mais comum é aquele que aprendeu a programar na faculdade ou em cursos técnicos e trabalhou como PJ em vários projetos durante sua vida profissional sem envolvimento emocional com o software que desenvolvia. Dificilmente foi além das classes que o analista pediu para ele desenvolver.
Outros foram um pouco além. Faziam a análise dos sistemas, mas não iam muito mais longe do que o usuário dizia ser o problema.
Muito poucos são os programadores que sentem aquele gostinho de vitória quando o usuário mudou de idéia e pediu alguma coisa diferente, mas o sistema já previa essa mudança e era muito fácil implementá-la. Pois ele o desenhou pensando num domínio um pouco maior do que foi pedido inicialmente. Só uns poucos entendem o problema, pesquisam soluções abrangentes e desenvolvem de maneira que seja fácil mudar.
E raros são aqueles que vão além do que conhecem e desbravam novos mundos procurando alternativas para solucionar da melhor maneira os problemas que lhes apresentam. Vão além do Java e do Ruby, vão além do Apache ou do IIS, fuçam no sistema operacional e nos componentes da rede, investigam como o Oracle trabalha com índices e como o MySQL salva os dados no disco, querem saber como funciona tudo para encontrar a melhor forma do software funcionar, a melhor forma para reduzir em 10x o tempo de processamento.
Eu acredito que essas “moscas brancas” não nascem com a experiência adquirida, eles nascem com esse espírito de descoberta. E você, o que acha?
#1 por Tony Fabeen em 21/10/2008 - 05:28
Infelizmente há muitos profissionais orientados ao “mercado” atuando apenas como fantoches orientados a tecnologia da “moda” não abrindo os olhos pra mais nada desenvolvendo sem criatividade e principalmente sem “paixão”.
Quando nos deparamos com pessoas mais ligadas ao mundo “Open Source”, observamos um perfil um tanto diferente, pessoas que sabem analisar a melhor tecnologia a ser aplicada em uma determinada situação, possuem mais criatividade e são “extremamente” precocupados com a qualidade final do produto/sistema que estão desenvolvendo e não são presos a tecnologias ou metodologias X ou Z.
Nao acredito os profissionais especialistas sejam melhores que os generalistas, mas a mescla dos dois mundos, isso sim é o ideal, imagine o cenário onde você deseja um programador Java com excelentes conceitos de Orientação a Objetos. Se ele for um programador especialista em Java, tendo conhecimentos em Smalltalk, “Bingo” esse é o cara.
Estive lendo uma interessante dissertação de mestrado de um norueguês (Polyglot Programming – A business perspective / http://theuntitledblog.com/wp-content/uploads/2008/08/polyglot_programming-a_business_perspective.pdf) que aborda esse tipo de profissional.
[]s
#2 por Felipe em 29/10/2008 - 05:14
Raros como os cavaleiro Jedis. Sem dúvida esse tipo de programador é muito raro. Mas eu diria mais, isso não se aplica apenas ao programador. Eu acredito que isso se aplica a todos envolvidos no desenvolvimento de um software, pois temos arquitetos que só olham pro dedão do pé, gerentes de projeto que só ficam atualizando projects da vida e nem conversam com o time, analistas de sistema que não sabem as limitações das tecnologias e plataformas adotadas. Quantas vezes vi analistas definindo coisas impossíveis de serem implementadas… eu acho que a grande falta na nossa área é do espírito de descoberta mesmo! E eu aposto que cada vez esse perfil será mais raro… o que mais me deixa desconfortável é pela quantidade de amadores interesseiros em ganhar dinheiro fácil, fazendo infinitas POGs… uma área recheada de pangarés… só mesmo os Jedis para salvar nosso mundo de desenvolvimento de software! Bom post!
#3 por Fabricio Leotti em 29/10/2008 - 05:15
Quando digo que meu trabalho é resolver problemas, algumas pessoas estranham. Mas é exatamente isso. Comecei trabalhando como desenvolvedor, mas passei um bom tempo na área de infraestrutura e acho que o que se ganha é isso: vontade de fuçar, encontrar o problema, resolver, melhorar… Quando se passa por isso, você começa a desenvolver pensando em outras camadas, outros níveis de interação.
Muito bom o texto. Parabéns!!
#4 por Gabriel em 29/10/2008 - 05:20
li o seu post e concordo que essa característica é rara em qualquer profissão e não só na de programação, mas vejo também que o ambiente deve ser propício ao surgimento das então chamadas “moscas brancas”.
Caso a pressão por resultados imediatos seja grande, não tem como o programador fazer nada além de tentar simplesmente sobreviver no referido ambiente.
Digo que moscas brancas não surgem em um lugar onde há um “spray negro” sobre elas o tempo todo.
#5 por Danilo em 29/10/2008 - 05:28
Concordo plenamente.
Acredito que os chamados “micreiros”, são os melhores profissionais de TI existentes, com eles descobrimos novas tecnologias e novos recursos que facilitam totalmente a nossa vida, acho que o ser humano sempre nasce com algum dom e o mesmo precisa ser descoberto para a pessoa tenha sucesso em sua carreira.
#6 por Adauto em 29/10/2008 - 05:31
A minha visão, é que essas’, ‘A minha visão, é que essas pessoas que “vão além”, são aquelas que realmente GOSTAM DO QUE FAZEM. Muitos cursam algo relacionado a programação, apenas pensando no lado lucrativo, deixando de lado a paixão de fazer aquilo que gosta. A primeira vista pode ser difícil identificar esse tipo de programador, mas com pouco tempo de convivência já é fácil notar se ele é aquela pessoa que vê a internet como um futuro, uma carreira, ou apenas a usa para entrar no MSN e Orkut.
#7 por Walter em 29/10/2008 - 05:56
Nao sei de onde vêm as moscas brancas, mas eu acredito que vão surgir cada vez menos, pois a busca por produtividade associada às ferramentas e frameworks geram menos estímulos para a busca por descobertas. A chamada geração Whyne, nascidos após 1978, correspondem a cerca de 40% da força de trabalho atualmente e em breve serão mais de 50%. Essa é uma geração que cresceu com um micro em casa e que passa muito mais horas usando um PC durante a infancia do que eu vou passar usando na minha vida toda. Porém, essa geração não faz a menor idéia do que há dentro de um PC, como funciona, como otimizar e não querem saber, porque não precisam saber. Afinal tudo está comoditizando muito rápido.
#8 por Anonymous em 29/10/2008 - 06:06
Há de pensar…
”moscas brancas” não tem esse envolvimento emocional como o relatado, mas sim ao seu crescimento profissional. Se elas dedicam-se a um projeto os principais motivos na maioria das vezes são tres desafio, salário e um ambiente bom para elas se desenvolvem e crescerem mais, agora se esses fatores somem, elas voam…
#9 por Anonymous em 29/10/2008 - 06:07
Tudo depende do líder. Lembrando que chefe não é líder.
Você pode ter “moscas brancas” trabalhando com você, mas
elas nunca irão aparecer se o chefe não deixar.
O “mosca branca” percebe logo o local aonde esta pisando, “sacam”
as pessoas que pensam que sabem tudo (chefes) e que toldam as mentes criativas
e trabalhos. Se levarmos para dentro de uma grande corporação onde a hierarquia
e “top down” o “mosca branca” é apagado e o chefe e quem fica com os louros das
idéias. Pior ele faz questão de vangloriar-se perante toda a equipe dizendo que
ele é o único que consegue pensar (algo parecido com o seu post).
Então pra que ser “mosca branca” aonde só tem “mosca negra”.
Acho que a visão expressa em seu “post” é minimalistas e com pouca visão de contexto.
#10 por wboton em 29/10/2008 - 16:08
Concordo quando você diz que depende dos lideres. Se eles se enquadrarem na definição de “lider” não há o problema com os bons profissionais, os lideres deixarão eles aparecerem e levarem os créditos.
Agora Chefes que ficam com “os louros” das idéias não possuem os “moscas brancas”, pois se o profissional é realmente bom, ele percebe logo o local onde está pisando e sai fora, não trabalhará para um chefe que diz ser o único que sabe tudo. Só os “moscas negras” que não confiam em sua própria capacidade ficam com chefes ruins.
Grandes corporações tem espaço na hierarquia “top-down” para que os maus profissionais se escondam.
#11 por Anonymous em 01/11/2008 - 18:59
Embora respeite a sua tese, sou forçado a discordar. “Moscas brancas” precisam sobreviver, e para isto trabalham para chefes idiotas. A somatória dos benefícios – salário e regalias – que a empresa oferece contribuem para mantê-lo na empresa. Entenda meu amigo, que os benefícios que uma empresa oferece foram conquistadas em algum momento por um grande chefe/lider da empresa ou por força da lei.
Como disse antes, tudo depende do chefe. Acho que apenas os chefes são maus profissionais. Estes e somente estes, ficam escondidos. Os chefes são responsáveis pela equipe, são eles quem prove os mecanismos para que seus profissionais evoluam. São eles, quem determinam as atividades, e são eles que provem os recursos, treinamentos, atualizações, etc…, para a equipe. São eles quem defendem a sua equipe. São os chefes que conduzem o time para a vitória ou para o fracasso.
Não sei se você já leu o livro de Sun Tzu (A arte da guerra). Lá existem duas lições muito interessantes e acho que exemplifica o que tento explicar.
1 – Se uma ordem não é cumprida a falha não é da tropa e sim do comando que não soube dar a ordem. Solução: troque o comando.
2 – Numa tropa devemos ter três tipos de soldado: o corajoso, o inteligente e o idiota.
Deve ser de nosso entendimento as razões do item 2. Não adianta ter um time somente de corajosos, vão fazer besteira. Um time só de inteligentes também implica e falha. E um time somente de idiota dispensa comentários. é a mescla desta pessoas que bem orquestrada conduz a vitória.
Então, quando você diz, “os raros programadores que vão além…” eu diria “os raros chefes que vão além…”. Olha meu amigo, quem já teve um líder sabe muito bem do que eu estou falando. Um líder não manda, ele pede. E quando ele pede sua equipe não mede esforços.
Pelo seu currículo, você seria um líder, mas pelo seu “post” acho que é um chefe. Quero que você entenda que não estou discutindo a sua pessoa e sim o assunto. O tema deste “post”.
#12 por Anonymous em 14/11/2008 - 11:48
Acho que os “moscas brancas” em geral vão além por puro tesão, pelo laboratório que isso gera, e por confiarem na própria visão em relação ao projeto, arriscando ao desenvolver funcionalidades fora de escopo mas que farão toda a diferença no resultado, por exemplo. Muitos não estão muito interessados em reconhecimento, dinheiro ou um ambiente saudável para se trabalhar, apenas se preocupam em fazer aquilo pelo qual são apaixonados, o melhor possível.